No Quarto Caminho, Ouspensky escreveu: “Este sistema é mais um sistema de pensamento do que de conhecimento. Ele mostra como pensar de forma diferente, o que significa pensar de forma diferente, porque é melhor pensar de forma diferente. Pensar de forma diferente significa pensar em diferentes categorias”.
Quando comecei a estudar a mim mesma percebi que o meu comportamento mecânico tinha um padrão recorrente de resposta, que era evocado pelo mesmo grupo de eus. A possibilidade de classificar estas manifestações dentro de uma categoria, isto é, dar-lhes nome e definição, fez com que a luta contra elas se tornasse possível.
Por exemplo, como eu mencionei em um post anterior, quando comecei a observar a mim mesma, a característica mais evidente foi a frequência e a intensidade com que eu expressava emoções negativas. Assim, a primeira revelação que me tocou profundamente quando eu comecei a aprender sobre as técnicas do Quarto Caminho foi que uma das piores ilusões que temos é pensar que as emoções negativas são produzidas por circunstâncias, quando, na verdade, todas as emoções negativas estão em nós, dentro de nós. Este conhecimento criou de imediato um entendimento profundo de que eu era responsável por meus estados emocionais, o que tornou mais difícil culpar outros pelos meus infortúnios. Eu comecei a aprender a não levar as coisas como pessoais.
Também me impressionou saber que não existe uma única emoção negativa útil, útil em qualquer sentido, e que todas elas são um sinal de fraqueza, e um desperdício da energia necessária para o desenvolvimento da consciência. Saber que esta categoria de hábitos incluía todas as formas de irritação, frustração, impaciência, depressão, julgamento, ansiedade, preocupação, desconfiança, auto-piedade, indignação, ódio, ressentimento, medo, pressa … ampliou a minha capacidade de perceber mais precocemente a manifestação deste tipo de emoção. Da mesma forma, saber da existência de métodos eficazes para lutar, conquistar e destruir estas emoções, simplesmente porque não há um centro para eles em nossa máquina, trouxe alívio e encorajamento.
Outra nova forma de pensar, que trouxe escala e relatividade para as minhas observações, foi o entendimento de que a vida é uma peça escrita por influências superiores, direcionada especialmente para cada um de nós, com o objetivo é nos ajudar despertar. A maneira de entender a peça da nossa vida é aceitá-la. Isso requer que estejamos em essência, ou seja, em uma condição que exclui completamente a expressão de emoções negativas.
Lembro-me de uma vez, depois de passar o dia ressentida com o meu marido, eu sonhei que algumas forças obscuras estavam me puxando para fora da minha cama e iam me levar embora. Comecei a gritar e meu marido me acordou. Essa visão me chocou e gerou um horror à possibilidade de morrer em um estado de negatividade. Este horror é outra ferramenta que ajuda a combater esse mau hábito. Praticar essa nova maneira de pensar torna cada detalhe da nossa vida significativo, surpreendente e interessante.