Janeiro de 2021

Nosso fazendeiro empurra um portão que se abre e entra no novo ano. De pé no limiar, ele olha de volta para o ano passado, à frente para o ano que chega e para nós. Essa face do meio olhando para o momento presente é nosso ponto de partida. Hoje é o que é porque ontem foi o que foi; se queremos que amanhã seja diferente, devemos fazer hoje diferente. Então o que devemos mudar hoje? O que queremos – qual nossa meta?

Ao longo de Janeiro, essa questão foi colocada aos estudantes e foram oferecidas diferentes abordagens por quais respondê-la. Uma abordagem foi a divisão entre essência e personalidade. A essência é quem nós realmente somos, nossas atrações inatas, forças e tendências. Conforme esfrega-se contra a vida, a essência se torna coberta com personalidades que ajudam-na a adaptar-se às demandas da vida. No entanto, essas personalidades crescem excessivamente e assumem independentes, falsas identidades. Elas cobrem a essência tão minuciosamente, que temos dificuldade em discernir o que genuinamente queremos do que fomos ensinados a desejar.

Assim, o labor de definir uma meta é um de cavar até a raiz do que nos trouxe a esse trabalho. Também é um labor de tentativa e erro. Nossas metas imediatas quase sempre vêm da personalidade. Sua relevância limitada e eventual desaparecimento prova sua superficialidade. De outro lado, metas que resistem ao teste do tempo se originam da essência. Com uma pegada mais apertada ao que realmente queremos, nós temos uma melhor chance de sustentar os esforços consistentes e inteligentes requeridos para o trabalho interior.

Você deve aprender a realizar super esforços. Se você não realiza super esforços, é porque você não tem uma meta.
Gurdjieff