Esforço Consciente – Aurora

Aurora Kairos
Gurdjieff Esforço Consciente

Minha primeira experiência memorável de esforço consciente aconteceu quando meus filhos tinham seis meses e dois anos e meio de idade. Meu marido e eu tínhamos concluído os nossos estudos na Inglaterra, onde também havíamos encontrado a nossa escola do quarto caminho. De volta ao Brasil, juntamente com um amigo que morava em São Paulo, começamos a nos empenhar para abrir centros da escola na América do Sul. Pessoas interessadas surgiram primeiramente em São Paulo, onde começamos a ter reuniões todas às quartas-feiras à noite e aos domingos pela manhã. Com filhos pequenos, iniciando nossa carreira profissional e com pouco dinheiro, tivemos que nos adaptar para assistir às reuniões apenas nos finais de semana.

No entanto, eu sentia a necessidade de passar mais tempo com os estudantes da escola. Então, conversei com o meu marido sobre a minha intenção de viajar para São Paulo para participar das reuniões das quartas-feiras. Ele não se mostrou muito favorável e apresentou algumas objeções, as quais não tiveram muito impacto sobre a minha decisão.

Ao perceber a minha intenção de prosseguir com o meu plano, ele tornou-se mais claro na sua posição e disse que não estava de acordo e que não iria assumir a responsabilidade de cuidar das crianças enquanto eu estivesse fora. Lembro-me bem dos meus “eus” de auto-piedade e indignação. Nesse estado, eu realmente acreditava que tinha razão.

Felizmente, naquele momento, eu consegui me lembrar do meu objetivo de trabalhar contra a expressão de emoções negativas. Esta simples lembrança me libertou e eu me recusei a permanecer naquele estado negativo, pois sabia para onde ele iria me levar. Este entendimento foi muito rápido e intenso, de modo que está registrado em detalhes na minha memória para sempre. Foi um terceiro estado de consciência. Novos “eus” surgiram, os quais tinham mais escala e relatividade, permitindo expor minha arrogância e vaidade ao tentar impor algo, simplesmente porque acreditava que era o meu direito fazê-lo. Eu também pude entender e aceitar o ponto de vista do meu marido.

No entanto, mesmo com esse novo entendimento, eu me dei conta de que a minha intenção de passar mais tempo com os estudantes da escola era genuína e importante para o meu trabalho interior. A diferença desta vez era que eu não acreditava que tinha o direito de fazer o que eu queria. Sendo algo importante para mim, eu deveria encontrar uma melhor forma para alcançar o meu objetivo. Então eu propus o seguinte para o meu marido: ele cuidaria das crianças durante a minha ausência e eu me proporia a preparar um jantar à luz de velas para nós dois todas as sextas-feiras, e também ficaria responsável por lavar a louça. Lembro-me com clareza da sua expressão positiva de surpresa, e ele concordou imediatamente.

O resultado desse esforço foi que decidimos ter uma babá para as quartas-feiras e começamos a ir juntos para as reuniões. Eu mantive minha promessa, e criamos o bom hábito de compartilhar jantares românticos, o que contribuiu de forma significativa para a jornada ascendente que trilhamos juntos.